Matemática e Educação Física
Queridos alunos, essa é uma atividade interdisciplinar, você pode copiar em apenas um caderno (ou de Matemática ou de Educação Física).
1. Leia o texto da matéria a seguir.
JUVENTUDES: CONSUMO 27/10/2015
Quanto o jovem gasta por mês
Respostas diferentes mostram que o adolescente constrói identidades pelo consumo enquanto se abre ao questionamento. Adolescentes de bairros diversos falam da relação com o dinheiro
Por: Thaís Brito cotidiano@opovo.com.br
CAMILA DE ALMEIDA
Dos bairros Meireles e Aldeota, as amigas Ana Sílvia, 17, e Lara, 16 buscam diversão com pouco gasto no Centro Cultural Dragão do Mar
Prestes a terminar o ensino médio, a rotina de Zuiane Albuquerque é dividida entre escola e trabalho como auxiliar administrativa. Aos 17 anos, assume a própria despesa com academia e dentista. E os R$ 550 mensais vão suprindo novas necessidades. Assim, roupas, festas e saídas com amigos fazem parte dos gastos. Ela mora no bairro Genibaú e administra também o dinheiro do ônibus. “Por um lado, não me ‘humilho’ pedindo dinheiro aos pais. Mas, se precisar, minha mãe pergunta se eu não tenho um trabalho”, brinca.
Cada adolescente consegue dinheiro de maneiras distintas. Atividades remuneradas, mesadas dos familiares, economia do dinheiro do lanche na escola, liberdade com o cartão de crédito. Aos 16 anos, Catarina Monteiro se vale do rendimento escolar. Cada média dez no boletim significa R$ 10 dados pelos tios. É como alimenta a compra dos livros das sagas de fantasia, romances e literatura juvenil. Considerando que a família tem renda razoável, ela diz se bastar com R$ 50 mensais, com raras idas ao shopping ou cinema. E economizando para os próximos livros.
“Eu odeio gastar por gastar”, afirma Caio Nogueira, aos 13 anos. Mesmo tendo um dinheiro só para ele: a mesada de R$ 80 dos avós. É que ele prefere guardar para investir em games e diz precisar apenas do crédito no celular todo mês. Mesada era a realidade da infância de Lara Aguiar, do bairro Aldeota. Agora com 16 anos, admite que gastaria mais com o supérfluo caso tivesse mais acesso ao dinheiro da mãe. “Se fosse um dinheiro meu, sei que compraria muita coisa que realmente não preciso”. Buscando atividades gratuitas, ela e as amigas da escola têm frequentado equipamentos públicos.
O POVO visitou quatro escolas para conversar com adolescentes sobre hábitos de consumo. Enquanto estudantes dos dois colégios particulares tenderam à dedicação do dinheiro para estudos e hobbies, os relatos na rede pública incluem alguns esforços para ajudar na renda familiar. O que une as juventudes distintas é a busca pela própria identidade com a inclusão em tribos. Processo hoje mediado fortemente pelas relações de consumo, reflete Katiane Farias, bacharel em Economia Doméstica pela Universidade Federal do Ceará (UFC).
Segundo analisa, o mercado busca abranger os segmentos diversos das juventudes enquanto centraliza a mensagem de felicidade atrelada ao possuir. “Com opções restritas de praças, parques e locais de contato com o meio ambiente, os shoppings tendem a concentrar o lazer do jovem. Eles em si são templos do consumismo”, alerta a pesquisadora sobre juventude.
Diversão sem compras acontece com as voltas de bicicleta no bairro Pici, conta a estudante Juliana Costa, 16. Para ela, o mesmo jovem chamado a consumir tem a força para contestar e construir hábitos diferentes. “A gente precisa subverter essa ideia de ‘precisar ter’ e sempre duvidar. Por que a gente precisa? Como foi feito? Vem das mãos de crianças escravizadas na Índia? Tudo merece ser questionado”, instiga. Como monitora do laboratório de química e biologia na escola, ela ganha R$ 100 por mês e dá metade à mãe para despesas de casa.
Diga lá!
“R$ 100 é a mesada, mas, quando minha mãe gasta mais comigo, acabo ganhando
R$ 75. Gosto muito de guardar para comprar
minhas coisas, como enfeites para o meu quarto. Saio mais para ir ao cinema e comer com amigos.”
VITOR DE ALENCAR, 14 anos,
Colégio Deoclécio Ferro (escola particular
no Rodolfo Teófilo)
“Costumo gastar R$ 60 por mês. Nunca ganhei mesada, nunca me fez falta. Peço dinheiro à minha mãe. Quando ela não tem, ela me dá o cartão (de crédito). Não gasto muito dinheiro, é mais o de almoçar quando preciso ficar direto na escola.”
CAMILLE NOGUEIRA, 16 anos, Colégio Santa
Cecília (escola particular
na Aldeota)
Diga lá!
“O que não pode faltar é a Internet. Lá em casa,
eu que assumo essa conta. Ganho R$ 50
de pensão do meu pai. Algumas vezes saio com meus amigos ou a gente combina ir para uma casa
de praia de alguém”.
INGRID LIMA, 18 anos,
Colégio Liceu do Conjunto Ceará (escola pública)
“Acho que gasto R$ 100 todo mês. Principalmente com passagem de ônibus e lanche fora de casa. Já dei aula de reforço antes, mas agora fiquei sem tempo. É raro sair porque quase nada é perto da minha casa (na Parangaba), é difícil a locomoção. Há pelo
menos uns três meses
não vou ao cinema.”
LARISSA KAREN, 16 anos,
Colégio Adauto Bezerra (escola pública no
Bairro de Fátima)
2. O Centro Cultural Dragão do Mar é na cidade de Fortaleza no Estado do Ceará. Os bairros citados, Aldeota e Meireles, são da mesma localidade. Agora responda as seguintes perguntas:
a) Se a mesma reportagem fosse feita, na mesma época, com moradores do seu bairro, você acha que os valores citados seriam os mesmos. Você acha que as pessoas conseguiriam usar os mesmos serviços e ter o mesmo consumo com esses valores no seu bairro ou na sua cidade? Explique.
b) Há bairros em Duque de Caxias onde os produtos que sua família consome são mais baratos? Você acha que a localidade influi no valor dos produtos e dos serviços?
c) Cite, pelo menos, dois produtos ou serviços, que sua família use. Coloque os valores de cada um no seu bairro e em um bairro vizinho ou que sua família frequente.
d) Você acha que os adolescentes da sua turma na escola gastam mais dinheiro com o que? Comida? Aparência? Tecnologia? Jogos? Material Escolar? Outros? Cite-os.
e) A reportagem acima foi feita em 2015. Se ela fosse feita novamente hoje, no mesmo local, você acha que os valores citados seriam os mesmos? Porque?
f) Imagine que você fará uma reportagem com seus colegas na escola sobre consumo na adolescência, quais perguntas você faria? Quais respostas você iria esperar em cada uma delas? Pense, no mínmo, em três perguntas, com, pelo menos, três alternativas cada uma.
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